*ouvindo 'Adagio in D minor for strings and organ - Albinoni'*
Queria que todos vissem a alma insÃpida por trás desses olhos.
O meu avô está tremendamente mal, meu pai está triste e eu não consigo esboçar nenhuma emoção, não consigo consolar ou mostrar meus sentimentos à ninguém.
Eu queria tanto me debulhar em lágrimas, ou ser aquela pessoa forte que serve de consolo, mas minha face permanece impassÃvel. Meus olhos não expressam nada. Eu me sinto tão vazia quando vejo outras pessoas com seus sentimentos tão profundos, vivendo a vida normalmente. Admiro as pessoas. Não canso de olhar para elas quando as vejo expressar esses sentimentos tão humanos.
Me sinto insensÃvel, fria... me sinto como uma morta-viva. Daà a minha adoração pelo mundo soturno dos vampiros. A maneira com a qual eles admiram a beleza do ser humano pelo seu simples poder de sentir, pelas suas almas mortais. Vampiros sentem somente a dor eterna de não serem mais vivos, sofrem pela alma que perderam. Claro que existem os vampiros que não sofrem, são máquinas, animais que se alimentam por instinto. Não, não são nem animais. Quando você olha diretamente no olho de um animal, você consegue ver o que se passa dentro dele. Olhos de vampiro são opacos, a vida foi tirada deles, sua única tarefa é a visão.
Também admiro a imortalidade deles. Tenho um medo imenso de perder as pessoas que amo. Não conseguiria imaginar a minha vida sem a minha famÃlia ou amigos. Sofro em pensar no curso natural das coisas. Luto com todas as minhas forças contra o fato de que tudo nasce, cresce e morre. Queria que tudo ficasse do jeito que está para sempre. Não quero terminar a faculdade, não quero ver meus amigos sumirem, não quero ver meus pais envelhecerem.
Queria que todos fôssemos elfos. A vida seria tão doce se fosse um filme que é rodado várias e várias vezes.
Eu preciso de um psicólogo.
"Ignorance is a bliss."
Eu gostaria de viver com a mentalidade infantil de que tudo é para sempre.
Os anos passam. Já tenho dezoito anos e sinto que os dias passam tão rápido e eu não os aproveito como deveria. Não dou valor à vida maravilhosa que tenho. Um dia estou em depressão porque não tenho namorado, outro porque o garoto que gosto não olha para mim. Isso é ridÃculo e eu sei. É fútil, é nojento, é vão. Um homem não pode ser a razão da minha vida, e não é. Vivo melhor hoje quando penso que estou bem assim, e realmente estou. Estou feliz. Confusa e incoerente, mas feliz. Sinto que me falta experiência de vida, mas o tempo traz tudo.
Sim, ainda não desisti de querer parar o tempo. Mas estou tentando ver as coisas de uma outra maneira.
Bem, acho que me desviei do ponto central, mas... é, é isso mesmo.
Voltarei em breve para uma apresentação mais formal.
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